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Ciência e tradição amazônica juntas

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Publicado em 5/09/2017

Criança curiosa, que em vez de remexer os armários dos pais em busca de diversão, revirava os livros. Esta era a pequena Joyce Kelly do Rosário da Silva . Quando pequena, assistia às chamadas dos noticiários de TV sobre a possível cura de doenças e pensava: "Deve ser legal, fazer isto". Hoje, formada em química e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Joyce foi uma das sete ganhadoras do Prêmio ABC-L’Oréal-Unesco "Para Mulheres na Ciência" de 2013.

Recém-diplomada como afiliada da Academia Brasileira de Ciências (ABC) pela vice-presidência regional Norte, ela conta que desde os 16 anos já sabia o caminho que queria seguir: fazer pesquisa em química. Segundo Joyce, a graduação na UFPA foi um período de árduos estudos. "O bacharelado em química é um dos cursos com maior evasão no Brasil e não foi tarefa fácil concluí-lo", lembra ela, que fez iniciação científica e adquiriu nessa fase valiosos ensinamentos de como conduzir experimentos, escrever relatórios e apresentar trabalhos científicos.

Foi no mestrado, realizado também na UFPA, que Joyce começou a trabalhar com a química de óleos essenciais, até hoje seu objeto de pesquisa. Durante a pós-graduação, ela estudou as famílias Lauraceae e Piperaceae, bastante empregadas na medicina popular da Amazônia. Neste período, identificou a distribuição de várias substâncias bioativas entre as espécies e as correlacionou estatisticamente. A dedicação e o empenho em pesquisa do seu orientador, José Guilherme Maia, foram suas principais inspirações.

Durante o período de doutorado, Joyce teve oportunidade de fazer um estágio de curta duração no Laboratório de Química de Produtos Naturais da Universidade de São Paulo (USP), sob a supervisão do professor Massuo Kato. Recentemente, Joyce concluiu o pós-doutorado no Departamento de Química da Universidade do Alabama em Huntsville, nos Estados Unidos, sob a supervisão do professor William Setzer. "Por onde passei adquiri muitos ensinamentos e fiz grandes amigos", ressalta a pesquisadora.

Joyce explica que as plantas aromáticas e seus óleos permeiam o cotidiano dos moradores da região amazônica. Segundo ela, os óleos essenciais são constituídos por moléculas de baixo peso molecular, com uma vasta diversidade estrutural. "A minha pesquisa trata da caracterização química dos óleos, suas propriedades biológicas e sua qualidade após diferentes processos de extração e condições de cultivo", conta a pesquisadora, que hoje se dedica a investigar, além das já citadas famílias das plantas Piperaceae e Lauraceae, também as famílias Myrtaceae e Verbenaceae, muito presentes na Amazônia. "Diversos óleos essenciais podem ser utilizados como novos fármacos, cosméticos, aditivos para alimentos, fungicidas e inseticidas. Além disso, atualmente pesquiso o papel dos compostos voláteis na interação com o meio ambiente e situações de estresse das plantas como, por exemplo, após o ataque por patógenos", explica.

Em tempos de discussão sobre o "empoderamento feminino", Joyce diz se sentir muito grata por ser reconhecida pela ABC como uma cientista de destaque dentro das ciências exatas, onde o cenário ainda é predominantemente masculino. "Estar entre os afiliados representa uma possibilidade de aumentar a projeção das pesquisas feitas na Amazônia e estabelecer novas parcerias. Pretendo participar da organização dos eventos científicos da ABC e trabalhar para a divulgação, principalmente, das pesquisas realizadas por jovens pesquisadores da região Norte", diz.


(Ascom ABC)


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