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Brasil no Fórum Mundial de Ciências 2017

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Publicado em 14/11/2017

A ciência tem um papel cada vez mais importante nas atividades econômicas e sociais. É essencial que políticas públicas sejam baseadas em ciência sólida e que incorporem questões de gênero e equidade social.

Baseado nestes princípios, foi realizado o Fórum Mundial de Ciências 2017 (WSF, na sigla em inglês), com o tema “Ciência pela Paz”. O evento aconteceu entre 7 e 11 de novembro no King Hussein Bin Talal Convention Centre, na cidade de Sweimeh, no Mar Morto, Jordânia. Organizado de dois em dois anos desde 2011, foi a primeira vez que o Fórum ocorreu no Oriente Médio.

Dentre os mais de 3.000 participantes de mais de 100 países, eram três os brasileiros presentes: a diretora da ABC Márcia Cristina Bernardes Barbosa (UFRGS), os Acadêmicos Paulo Eduardo Artaxo Netto  (USP) e Pedro Fernando da Costa Vasconcelos  (IEC). Eles representaram a ABC e participaram ativamente da reunião, que focou o desenvolvimento da ciência para a paz e a prosperidade econômica, com respeito ao meio ambiente e à sustentabilidade.

Doutora em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde hoje é professora titular, Marcia Barbosa trabalha com anomalias dinâmicas da água. Em paralelo, atua em questões de gênero na ciência, pelo que ganhou em 2009 a Nicholson Medal da American Physical Society.

Márcia Barbosa abordou, no Fórum Mundial, a relação entre água, alimentos e energia em um mundo com necessidades crescentes destes três ingredientes essenciais. “Água e energia devem ser estudados como uma rede complexa, que envolva homens e mulheres em igualdade de voz”, alertou. Barbosa apontou que as novas descobertas sobre a água em nanoconfinamento são fundamentais para sua limpeza com menor custo energético. Discutiu, ainda, como aumentar a participação de mulheres na ciência em países em desenvolvimento.

Professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Artaxo é doutor em física atmosférica pela USP, tendo trabalhado na NASA e na Universidade de Harvard (EUA), assim como nas Universidades de Antuérpia (Bélgica) e Lund (Suécia).

No evento, Artaxo discorreu sobre como a ciência pode aumentar a resiliência ambiental, social e econômica em tempos de mudanças climáticas e tensões políticas e sociais. Enfatizou a importância da cooperação Sul-Sul entre países em desenvolvimento na adaptação e mitigação das mudanças climáticas globais.

O Acadêmico Pedro Vasconcelos, que é médico e diretor do Instituto Evandro Chagas (IEC), foi o coordenador da equipe do IEC que demonstrou originalmente ao mundo que o vírus zika causa microcefalia e outras malformações congênitas. Sua palestra no WSF foi sobre a epidemia deste vírus, focando na importância de se conhecer os mecanismos usados pelo zika para burlar as defesas imunes dos fetos e neonatos, rompendo as barreiras placentárias e encefálica.

Vasconcelos apresentou, ainda, os promissores resultados pré-clínicos de uma vacina que está sendo desenvolvida em parceria pelo IEC e a Universidade do Texas Medical Branch (UTMB), em Galveston, nos EUA. Ele coordena, ainda, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Febres Hemorrágicas Virais (INCT-FHV) do IEC e integra dezenas de comitês nacionais e internacionais relativos a arboviroses e saúde pública de modo geral.

Como em todas as edições anteriores do WSF, foi elaborada e publicada uma declaração conjunta dos participantes ao final do evento, que destaca alguns pontos essenciais:

- O gerenciamento sustentável e equitativo dos recursos naturais é essencial para evitar conflitos e promover um desenvolvimento pacífico.

- A preservação das competências científicas, ameaçadas pela tendência de migrações globais, é a chave para a paz, o desenvolvimento sustentável, a resiliência e a recuperação.

- Diversidade é a chave para a excelência em ciência, tecnologia e inovação e é essencial para otimizar sua relevância e impacto.

- Os signatários assumem o compromisso com o direito universal à ciência.

- Os signatários apoiam o lançamento de um Fórum Regional de Ciência para o Mundo Árabe.

Leia a declaração original na íntegra.

Veja o vídeo de abertura do evento.


(Elisa Oswaldo-Cruz para NABC, com depoimentos dos Acadêmicos citados e dados do IEC)


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