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Sergio Verjovski de Almeida (VERJOVSKI-ALMEIDA, S.)

Ciências Biomédicas
Membro Titular
Ingresso em 4 de junho de 2003
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Sergio Verjovski de Almeida  nasceu no Rio de Janeiro, filho de José Antunes de Almeida, jornalista, e de Olga Verjovsky, arquiteta. Entrou para a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em março de 1969, tendo se graduado como médico em dezembro de 1974. Foi motivado para a pesquisa na área biológica pelo sucesso, nas décadas de 50 e 60, das carreiras do casal de físicos acadêmico Jayme Tiomno  e acadêmica Elisa Frota-Pessoa, os melhores amigos de sua mãe, e do biólogo acadêmico Haity Moussatché . Trabalhou nos primeiros anos da faculdade como estagiário no laboratório do dr. Antonio Paes de Carvalho , no Instituto de Biofísica da UFRJ, ficando responsável pelo desenvolvimento dos programas de computador que registravam o potencial de ação de coração isolado, adquirindo familiaridade com instrumentos eletrônicos e programação. Este treinamento foi decisivo para permitir as opções que fez mais tarde, no trabalho em bioquímica e em biologia molecular. A partir de 1973, trabalhou sob orientação do dr. Leopoldo de Meis , tendo estudado o efeito do pH sobre o ciclo catalítico da cálcio-ATPase, uma enzima da membrana do retículo sarcoplasmático de músculo esquelético, resultando em sua tese de mestrado (1976) e um trabalho em co-autoria com de Meis, sua primeira publicação em revista internacional. Recebeu do dr. de Meis uma excelente formação e um contagiante entusiasmo pela pesquisa com a cálcio-ATPase, fazendo-o querer continuar trabalhando com esta enzima por mais 20 anos. Voltou-se para a relação estrutura-função e para o mapeamento de mudanças na estrutura da proteína durante seu funcionamento. Em 1975, vinculou-se ao Departamento de Fisiologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Recebeu uma bolsa da Muscular Dystrophy Association of America para trabalhar de 1976 a 1978 com o dr. Giuseppe lnesi, na University of the Pacific, San Francisco, California, empregando medidas de cinética rápida para determinar de maneira pioneira a cinética transiente de acúmulo de cálcio e seu acoplamento com a utilização de ATP pela cálcio-ATPase. Voltou ao Brasil em 1978, e obteve o título de Doutor em Ciências pelo Instituto de Biofísica da UFRJ em 1979, usando o trabalho experimental que realizara no laboratório do dr. Inesi como material de sua tese. Em 1979, transferiu-se da UFF para o Departamento de Bioquímica Médica da UFRJ, onde de Meis, então recém-contratado como professor titular, ofereceu a possibilidade de Verjovski-Almeida organizar seu próprio laboratório. Obteve auxílio para pesquisa da Muscular Dystrophy Association of America de 1979 a 1985, e do CNPq desde 1979. Na UFRJ, foi chefe do laboratório de Estrutura e Função de Proteínas de Membrana de 1979 até 1993, tendo chegado ao cargo de professor titular em 1992. Utilizou uma combinação de técnicas de fluorescência com técnicas de espectroscopia de ressonância do spin eletrônico, empregando ATP, e análogos fluorescentes, com sonda de spin ou fotoativados, para estudar o sítio de ligação de nucleotídeos da cálcio-ATPase. Em 1983 iniciou uma colaboração com o professor Gregório Weber, da University of Illinois at Urbana-Champaign, introduzindo o uso da pressão hidrostática e da fluorescência de triptofanos para o estudo da dissociação do dímero de cálcio-ATPase; diversos outros grupos de pesquisa no Departamento de Bioquímica Médica da UFRJ utilizam atualmente as técnicas de fluorescência e a pressão hidrostática para o estudo de proteínas. Trabalhou de 1990 a 1992, em licença sabática de 18 meses, no Departamento de Genética da Yale University School of Medicine, no laboratório da dra. Carolyn Slayman, ganhando experiência na utilização das técnicas de engenharia genética para o estudo das ATPases; desde então otimizou a expressão heteróloga em levedura da cálcio-ATPase de músculo nativa e com mutação pontual de triptofanos, usando este sistema para o estudo da relação estrutura-função. Recebeu financiamento do National Institutes of Health, USA, programa Fogarty International Research Collaborative Award (FIRCA) de 1993 a 1996, para o projeto de expressão e caracterização da cálcio-ATPase de coelho em levedura. Em 1990, propôs-se a estudar a ATPase de transporte de íons de Schistosoma mansoni. Após alguns anos de trabalho, descobriu uma nova enzima na superfície externa do tegumento deste endoparasita, a ATP-difosfohidrolase, descrevendo pela primeira vez os domínios conservados desta família de enzimas, que não são de transporte mas sim regulam a concentração de ATP e ADP na superfície externa de células de eucariotos. Esta pesquisa abriu uma porta para o estudo do papel da enzima como um mecanismo de escape do parasita às reações de defesa do hospedeiro que utilizam ADP e/ou ATP como mediador (agregação de plaquetas, lise por linfócitos T citolíticos). Em 1994, foi contratado como professor titular do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Em seu laboratório na USP, pôde intensificar o uso das técnicas de engenharia genética para o estudo da cálcio-ATPase de músculo e da ATP-difosfohidrolase de S. mansoni, recebendo financiamento da FAPESP. Atualmente coordena uma rede de 9 laboratórios em São Paulo que está fazendo o seqüenciamento em larga escala de genes expressos de S. mansoni, já tendo aumentado em dez vezes o número de genes identificados deste parasita, gerando portanto novas ferramentas para a futura caracterização de vias metabólicas importantes no ciclo de vida de S. mansoni. Em 2000, iniciou um projeto de análise da expressão gênica em larga escala em câncer de próstata, com o objetivo de encontrar novos marcadores moleculares de diagnóstico precoce e de prognóstico neste tipo de câncer. Implantou na USP a técnica de microarrays de DNA, para explorar os novos genes humanos encontrados na coleção de 1 milhão de seqüências de fragmentos expressos, gerada nos anos 1999-2000 no estado de São Paulo. É um projeto pioneiro na interface pesquisa básica-clínica na área da genômica, e que envolve diversos grupos da clínica oncológica. Verjovski-Almeida considera como a parte mais importante e mais gratificante de seu trabalho a formação de pesquisadores. Coordenou, em 1988, a comissão que organizou o curso de pós-graduação em química biológica no Departamento de Bioquímica Médica da UFRJ, e foi seu primeiro coordenador em 1988-1990. Orientou 21 mestres e doutores, alguns dos quais já são membros desta Academia. Atualmente orienta 7 novos candidatos ao doutoramento. Já supervisionou 3 pós-doutores, e atualmente colabora com mais dois outros. Orientou 33 estagiários de iniciação científica, e atualmente orienta outros quatro. Verjovski-Almeida casou-se em março de 1975 com Helena Orenstein de Almeida, economista, e tiveram dois filhos, Ana Bisker, atualmente com 26 anos, e José Orenstein de Almeida, com 15 anos. Já têm um neto, David Bisker.




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