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Carlos Ribeiro Diniz (DINIZ, C. R.)

Ciências Biomédicas
Membro Titular
Ingresso em 27 de dez de 1966

Filho de Leopoldo Oscar Ribeiro e Marieta Carolina Diniz, nasceu em Luminárias (MG), em 1919. Em 1948, casou-se com Maria da Conceição Vasconcellos Diniz, união da qual nasceram Carlos Henrique, Marcelo, Rogério, Miguel e André.
Desde 1943, quando se formou em Medicina pela UFMG, em Belo Horizonte, dedica-se à pesquisa científica e á educação superior. Logo que se formou, o professor Baeta Vianna, Titular de Química Fisiológica, convidou-o para ocupar a posição de Assistente de sua Cadeira na Faculdade de Medicina. Antes, havia recebido treinamento rigoroso em Química Analítica e participado ativamente de seminários, da revisão da literatura biomédica e de pequenos projetos de pesquisa.
Em 1945, ao elaborar sua tese de Livre-Docência para a Cadeira de Química Fisiológica , acatou sugestão do professor Baeta de estudar a liberação de hormônios da glândula tireóide, particularmente do seu precursor, a tireoglobulina. Por meio de estudos histoquímicos, o pesquisador Eduardo de Robertis havia apresentado evidências de que as proteases estavam envolvidas na liberação de hormônios. Decidiu então procurá-las na tireóide e verificar se tinham especificidade para aminoácidos aromáticos usando os substratos sintéticos de Max Bergman, que foram cedidos por José Moura Gonçalves  e Maurício Rocha e Silva . Conseguiu, assim, identificar seis endo- e exopeptidases.
Mudou-se em seguida para São Paulo e, interessado em sintetizar peptídios iodados, procurou o laboratório de Maurício Rocha e Silva. Verificada a impossibilidade, aceitou o convite que lhe fez para participar do projeto sobre bradicinina, peptídio hipotensor, identificado na época por Rocha e Silva, W. Beraldo e G. Rosenfeld, por meio da ação de proteases do veneno da jararaca.
Em 1952, a convite de Moura Gonçalves, transferiu-se para Ribeirão Preto para assisti-lo na instalação do Departamento de Bioquímica da recém-fundada Faculdade de Medicina. Aí, com Harold Deutsch, da Universidade de Wisconsin (EUA), realizou um estudo sobre a especificidade de proteases de venenos de serpentes americanas, com ênfase nas atividades cininoliberadoras e coagulantes dos venenos. Esse trabalho, publicado no J.B.C., é até hoje uma referência para os que pesquisam na área.
Com Moura Gonçalves iniciou pesquisas sobre a peçonha do escorpião Tityus serrulatus, cuja natureza química e propriedades farmacológicas eram pouco estudadas e observou que extratos do ferrão contraíam o músculo liso do íleo de cobaia. A pergunta que se impunha era se a contração se devia à ação direta do extrato sobre o músculo ou indireta, por intermédio da liberação de um mediador, como ocorria com a peçonha de Bothrops no caso da bradicinina. Com Joel Torres, estagiário do laboratório, descobriu que a ação da peçonha se devia à liberação de acetilcolina. Nesse ponto, definiu linha de pesquisa que persegue até hoje: a química e o mecanismo de ação dos componentes das glândulas veneníferas de animais peçonhentos.
Dos trabalhos realizados destacam-se os feitos com Ivan Carvalho, em Ribeirão Preto, sobre o bradicininógeno, quando desenvolveu um método de dosagem (publicado em Nature) que demonstrava a participação do sistema da bradicinina em diferentes quadros fisiopatológicos. A descoberta de que a peçonha de escorpião libera mediadores químicos da transmissão nervosa e de que os efeitos tóxicos e farmacológicos da peçonha se devem à interferência dessas toxinas nos canais iônicos permitiu que muitos pesquisadores estudassem aspectos importantes da neuroquímica.
Trabalhos feitos inicialmente em Belo Horizonte com M.V.Gomez, em Ribeirão Preto, com Abílio Antônio e A. Corrado, e em Bethesda (EUA) com E. Albuquerque, estabeleceram bases para um profícuo campo de pesquisa em outros centros. Um trabalho que muito contribuiu para o conhecimento do sistema de liberação das cininas resultou de sua associação com o professor M. Mares-Guia, na UFMG, com quem obteve, pela primeira vez, in vitro, dados sobre o comportamento cinético das enzimas envolvidas nesse sistema. Por dar um tratamento quantitativo rigoroso aos dados experimentais e deduzir propriedades do sistema in vivo, esse trabalho se tornou útil aos cininólogos. Mantém atualmente um grupo de pesquisa multidisciplinar, envolvendo a Fundação Ezequiel Dias e a UFMG, para estudar as propriedades da peçonha da aranha-armadeira, que contém vários peptídios com ação sobre os canais iônicos.




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