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Aron Simis (SIMIS, A.)

Ciências Matemáticas
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Ingresso em 26 de mar de 1974
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Nascido em Recife, Pernambuco, durante o auge dos estragos nazistas. De genitores judeus, emigrados de Iednetz, um ponto minúsculo cerca de Kishinev, na Bessarábia (então Romênia, hoje Rússia).
Infância sem qualquer rasgo especial para ciências exatas - antes, uma certa vocação para desenho livre, almanaques e futebol de rua. Aos 10-11 anos, totalmente adicto à própria confecção de histórias em quadrinho, com heróis beijando as mocinhas e tudo mais. Aos treze anos, a descoberta de Beethoven, Mozart e Mendelssohn (Mahler só viria muito depois, por obrigação da moda). Depois, os ambientes sombrios de Dostoievski, Gogol, Gold, Gorki, as aventuras exóticas de Karl May e Jack London.
Durante todos esses anos, muita geometria plana e, depois, espacial. Entusiasmo pela Matemática? Mais para competir com os colegas. Digamos, mais para o Serrasqueiro do que para Malba-Tahan, se isto esclarece.
O incrível fascínio exercido pela aura dos vestibulares, lendas contadas pelos colegas do irmão mais velho. Trezentos problemas de Física, mais tantos de Geometria, e todos os dias era um tal de quem faz mais, fez este, fez aquele - era quase o Departamento de Matemática de Harvard, versão cabocla dos idos dos 50.
No exame vestibular, um examinador perguntando (sim, havia provas orais também) a definição de derivada. Na sua vez, sabia. Os olhinhos do engenheiro brilharam: "É este! Pega!"
Arremessado contra um currículo de Matemática defasado, modelado num formato italiano do início do século, com Mecânica Racional e tudo mais. Um ano depois, a novidade: axiomas de conjuntos numéricos, álgebra linear e geometria diferencial de curvas e superfícies. Mas, a Geometria Analítica ainda era pelo Rey Pastor - aliás, que belíssimo livro!
Doutorado: era tanta álgebra para aprender nos ares gélidos de Kingston, Ontário! A teoria dos números algébricos, o Festschrift de Hilbert, a homologia de Cartan-Eilenberg, a teoria dos módulos realmente funcionando, todo mundo querendo verificar a trivialidade de fibrados. E grupos livres, abelianos e não-abelianos, escapando pelo ladrão dos "offices" dos alunos. E a Geometria Algébrica, que ninguém jamais lhe dissera existir, pulsando nas veias dos pesquisadores jovens recém-chegados, quase uma atmosfera de "Como é, você viu o Mestre pessoalmente? Que tal parece, é como dizem mesmo?..."
Tese de doutorado à mão e os volumes do EGA na cabeça, rumo a um pós-doutorado em Brandeis (Mass., US). 1976: Guggenheim Fellow! Brandeis e Harvard. Novamente, muita Geometria Algébrica. O reencontro com W. Vasconcelos. Um grande esforço de convergência para um tema comum. Eureka! E o início de uma longa colaboração que, com o tempo, envolveu algebristas alemães, americanos e italianos.
O advento gradual da Computação Algébrica, a invasão da Combinatória, o poderio de fogo da série de Hilbert-Poincaré. Nova reformulação na temática de pesquisa, esforço para redefinir grandes linhas em Álgebra Comutativa. Colaboração direta com cerca de 13 matemáticos estrangeiros e 3 brasileiros. Cooperação bilateral na forma de convênios (GMD, CNPq/NSF), organização de reuniões científicas internacionais.
O resto deve estar em Vita.




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